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Como as tendências do agronegócio podem aumentar sua produtividade?

O agronegócio é uma das principais atividades econômicas brasileiras e tem participação relevante no Produto Interno Bruto (PIB). Com a volta do crescimento do país nos últimos dois anos, a…

Agronegócio

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O agronegócio é uma das principais atividades econômicas brasileiras e tem participação relevante no Produto Interno Bruto (PIB). Com a volta do crescimento do país nos últimos dois anos, a tendência é de que os produtores rurais tenham a possibilidade de expandir a sua produção com um mercado consumidor mais forte.

Porém, os empreendedores do campo precisam estar atentos às novas tecnologias que estão em desenvolvimento e auxiliam no aumento da eficiência das lavouras. A Internet das Coisas (IoT) e os drones são apenas alguns exemplos de técnicas que influenciam os resultados da safra.

Inclusive, os produtores precisam ter mais preocupações com a sustentabilidade. Além de melhorar a qualidade dos alimentos produzidos, ser responsável com o meio ambiente garante a manutenção dos nutrientes no solo e a existência de recursos naturais, o que é fundamental para o crescimento da atividade.

A seguir, vamos mostrar as maiores tendências do agronegócio para os próximos anos, bem como dicas para você melhorar a sua produção. Continue a leitura!

Entenda a evolução do agronegócio brasileiro

Na última década, o agronegócio no Brasil teve um crescimento elevado, principalmente, na quantidade produzida. Como comparação, a safra de 2010 teve 149 milhões de toneladas de grãos, enquanto a safra de 2018 foi de 226,5 milhões. Nesse meio tempo, o país atingiu o recorde (237,7 milhões, em 2017).

O melhor é que esse aumento da produção não significou, necessariamente, uma maior área plantada. Segundo dados da NASA de novembro de 2017, o Brasil tem produção agrícola em apenas 7,6% do seu território, com 66% de área nativa preservada. Na Dinamarca, por exemplo, o cultivo ocorre em 76,8% do território.

Em 2005, a produção de algodão foi de 2,1 milhões de toneladas em uma área de 1,2 milhão de hectares. Em 2015, a área diminuiu (1,1 milhão de hectares), mas a produção saltou para 2,6 milhões, o que representa um ganho de produtividade importante. O café, outro alicerce do agronegócio brasileiro, também passou por processo parecido.

Com a introdução de novas técnicas no campo, a tendência é de que esses resultados sejam ainda melhores. E, se os pequenos produtores frequentemente encontram dificuldades para a realização de uma boa safra e manutenção na atividade, com o crescimento da concessão de crédito rural, o setor deve continuar em crescimento.

Descubra quais são as tendências do agronegócio

O produtor rural deve acompanhar as tendências para adaptar a sua propriedade à realidade do mercado. Confira as principais!

Agricultura de precisão

Essa é uma das aplicações mais conhecidas da tecnologia no campo, mas que ainda não é empregada em boa parte das propriedades rurais. O objetivo da agricultura de precisão é ter um acompanhamento de todo o processo produtivo, com o uso de sistemas como o GPS e o sensoriamento remoto.

Com essa técnica, os produtores rurais conhecem informações mais precisas sobre o solo e o clima, o que auxilia no planejamento da safra. Isso possibilita uma escolha mais inteligente das culturas que devem ser plantadas, com base na quantidade de nutrientes e na variabilidade da temperatura.

Outro ponto interessante é o uso não uniforme dos fertilizantes. Em uma produção sem o uso de tecnologia, o natural é que haja uma aplicação igual dos insumos, sem respeitar as particularidades de cada área da lavoura. Na agricultura de precisão, são empregadas as quantidades corretas, o que evita o desperdício e aumenta a qualidade dos produtos.

Ao separar todo o processo produtivo em etapas e analisar corretamente os dados gerados pelos sistemas, o produtor é capaz de ter uma safra mais eficiente e com produtos agrícolas de melhor qualidade. Durante o acompanhamento, por exemplo, é possível verificar e aplicar a quantidade correta dos defensivos para combater as pragas.

É importante ressaltar que a agricultura de precisão não é ligada somente às tecnologias avançadas. O seu conceito é ser um manejo mais eficiente e responsável das terras, o que diminui o impacto no meio ambiente e mantém a qualidade do solo para as futuras gerações.

Tecnologias no campo

Reduzir as perdas no campo é um dos grandes objetivos dos donos das propriedades rurais. Como essa atividade está exposta a maiores riscos por conta das variações climáticas e das condições das terras, buscar maneiras de garantir a produção é fundamental, especialmente, para os pequenos produtores.

Uma tendência que já está em funcionamento e que deve crescer nos próximos anos é o uso de drones nas plantações. Esse equipamento funciona como uma pequena aeronave (tem centímetros de largura) com uma câmera acoplada, o que permite realizar filmagens das lavouras e observar o nível de irrigação e a incidência de pragas.

Esses aparelhos sobrevoam a propriedade mais de uma vez ao dia e são controlados por controle remoto, mas existem soluções com sistemas autônomos. Com a integração em softwares especializados na agricultura, o agricultor recebe imagens em diferentes ângulos e tem uma visão mais completa da lavoura.

Demarcar o plantio com a análise das áreas mais férteis, a proteção da propriedade rural e a busca por focos de incêndio também são benefícios dessa tecnologia aérea. Além disso, com a captação das imagens por um longo período, o produtor pode acompanhar a safra e verificar se a produção está no andamento desejado.

Outra tecnologia na agricultura são os sensores, que ficam instalados no meio da plantação e coletam dados sobre as condições meteorológicas e as condições do solo. Além disso, eles podem funcionar de forma automática para realizar algumas tarefas, sobretudo, conectados com a Internet das Coisas e o Big Data (tratamento de um grande volume de informações).

Internet das Coisas

A Internet das Coisas é um conceito que está em alta no mercado de tecnologia. O seu objetivo é criar uma rede entre os objetos sem interferência humana, como eletrodomésticos, carros e até casas. Com essa conexão pela internet, é possível gerar informações e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Assim como ocorre nas grandes cidades, os conceitos da IoT podem ser aplicados no campo para melhorar a produção rural. As lavouras inteligentes têm máquinas interligadas, que produzem informações sobre o solo e são capazes de indicar soluções para o plantio e para a correção na acidez.

A utilização da Internet das Coisas tem relação direta com a agricultura de precisão. Esses dados coletados são repassados diretamente para o agricultor, que toma as decisões com base em conhecimentos científicos, o que é fundamental para aumentar a eficiência da produção e conservar o ecossistema com a gestão dos recursos empregados.

Segundo a Embrapa, as pragas e doenças geram um prejuízo de R$55 bilhões no agronegócio brasileiro. Soluções para esse problema — que envolvem IoT e inteligência artificial — estão em desenvolvimento para realizar um manejo integrado dos insetos, com sensores que identificam os animais e auxiliam o produtor na aplicação dos defensivos.

O grande desafio é tornar essas tecnologias acessíveis também para os agricultores familiares e pequenos produtores, que não têm recursos financeiros suficientes para grandes investimentos.

Porém, com o seu desenvolvimento e a ajuda governamental, é possível que os valores se tornem mais acessíveis nos próximos anos e que essas soluções apareçam em todas as lavouras.

Sustentabilidade

A busca por processos produtivos mais limpos deixou de ser vontade de um grupo pequeno de consumidores e passou a ser uma necessidade para o agronegócio. A utilização de recursos energéticos renováveis, que agridem menos o meio ambiente, é uma tendência consolidada no país.

Ao praticar essas mudanças na sua propriedade, o agricultor aumenta o valor agregado dos seus produtos, o que maximiza o faturamento. Por isso, tecnologias para a conservação dos elementos já estão em utilização e em desenvolvimento, com projetos para a produção de energias mais limpas, como a solar.

Além disso, essas tecnologias também diminuem outros problemas, como o uso exagerado de produtos químicos nas lavouras. Com as técnicas de sensoriamento remoto e a Internet das Coisas, o agricultor utiliza somente os defensivos e fertilizantes necessários, sem comprometer o solo e a água.

Vale destacar que algumas tendências no consumo estão em alta em 2019. Alimentos orgânicos e à base de vegetais, por exemplo, são um mercado em crescimento, o que é um indicativo importante para os pequenos empresários do agronegócio. A comercialização desses produtos deve trazer mais oportunidades para todos.

Tendências de crédito rural

O crédito rural é um mecanismo importante para os produtores do agronegócio brasileiro. Ele é um financiamento que atua em todas as etapas da safra — produção, investimento e comercialização — e permite que as propriedades tenham recursos para se manterem na atividade, além de auxiliar na modernização do campo.

No segundo semestre de 2018, a contratação do crédito rural por médios e grandes produtores foi de R$93,73 bilhões, o que representou uma alta de 13% em relação ao mesmo período de 2017. No caso da agricultura familiar, o crescimento foi ainda maior: 20%, com R$16,49 bilhões no total.

Um detalhe interessante é que a modalidade que teve o maior aumento nos dois cenários foi a de investimento (26% e 55%, respectivamente). Isso indica que os donos das propriedades rurais reconhecem a importância de inserir novas tecnologias para maior eficiência da produção e melhores resultados.

A previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que a safra agrícola em 2019 seja 1% maior do que em 2018. O crédito rural é fundamental para o produtor que precisa viabilizar essa produção, mas não tem recursos suficientes. Com juros mais baixos, ele é mais vantajoso do que os empréstimos comuns.

Tendências econômicas

Depois de ser o motor do PIB em 2017, quando avançou 13%, o agronegócio teve um crescimento mais lento em 2018 (0,1%). Apesar disso, com a recuperação econômica do país, a tendência é de que esse setor recupere o fôlego e aproveite a safra maior para ter um rendimento melhor.

Depois de atingir 14,25% em 2016, a taxa Selic alcançou 6,5% no último ano e deve se manter estável nos próximos meses. Isso significa que os produtores rurais terão acesso a taxas menores e poderão procurar empréstimos mais em conta nas cooperativas de crédito e instituições financeiras.

As cooperativas, por sinal, tiveram um aumento de 200% na contratação de crédito rural nos últimos oito meses. Essa movimentação indica que a atividade está em expansão no Brasil, o que é um auxílio para os produtores que desejam maximizar a sua produção e um sinal positivo para o avanço do agronegócio brasileiro.

Outra tendência é a atenção maior para os pequenos produtores na concessão de crédito e seguro agrícola. Enquanto os grandes empresários do setor têm mais recursos disponíveis e podem buscar outras formas de financiamento, esse outro grupo, que participa do Pronaf, precisa do apoio governamental para se manter na atividade.

Saiba como essas tendências podem aumentar a produtividade

Para aumentar a produtividade da lavoura, o produtor deve conseguir melhorar a qualidade da sua safra com uma menor utilização de recursos e menos danos à natureza. Com a tecnologia, esse objetivo fica mais próximo, já que essas soluções aumentam o número de informações sobre a produção e melhoram as decisões.

Outro fator determinante é a diminuição nas perdas. Com um controle mais eficaz das doenças e das pragas, além de análises meteorológicas mais completas, o agricultor consegue se precaver desses problemas e utilizar métodos para minimizar o impacto da seca e das chuvas, e combater os insetos.

Um grande diferencial é na busca pela cultura correta para cada área do solo. Antigamente, era comum que os produtores utilizassem a monocultura — o que, depois de algumas safras, diminui a quantidade de nutrientes disponíveis no solo. Com a rotação de culturas e a agricultura de precisão, é possível dividir a lavoura e ter melhores resultados.

Vale destacar que algumas tecnologias demoram mais tempo para apresentar resultados. Enquanto elas podem não mexer diretamente na produtividade, os ganhos podem vir na diminuição dos custos e do impacto ao meio ambiente. De qualquer forma, essas novas técnicas trazem mais eficiência para a lavoura.

Na parte de gestão, a contabilidade rural é facilitada com o uso de softwares voltados especificamente para esse tema. Com eles, o produtor pode calcular a quantidade exata de insumos que deve comprar e ter uma visão mais completa do seu negócio.

Confira dicas para aumentar a produtividade no agronegócio

Produzir mais com menos recursos deve ser o principal objetivo de um agricultor. Separamos algumas dicas para você melhorar a eficiência da sua lavoura. Veja mais!

Conscientização

A conscientização ambiental é um dos primeiros passos para melhorar a produção no campo. Apesar de não ter relação com a tecnologia, ela deve ser aplicada todos os dias pelos donos das propriedades rurais para respeitar o meio ambiente e fazer com que os resultados sejam duradouros, sem comprometer o ecossistema.

Com o desenvolvimento de consumidores mais conscientes, ou seja, que buscam uma produção mais orgânica e querem saber a origem do alimento, trazer soluções sustentáveis é uma obrigação para melhorar a qualidade dos produtos e também para não perder os clientes no processo de comercialização.

Outro fator importante é que, ao cuidar bem do solo, o dono da propriedade rural garante os nutrientes para a próxima safra, o que se transforma em um ciclo virtuoso. Muitos produtores sofrem com a má conservação das terras, o que diminui a eficiência do seu plantio e gera dificuldades financeiras.

Assim, o agricultor que entende que cuidar do meio ambiente é cuidar dos seus negócios aumenta as chances de ter bons resultados na sua produção. Diminuir a poluição e o desperdício de água proporcionam uma melhor qualidade de vida e trazem benefícios para a comunidade.

Análise do solo bem-feita

Para melhorar a produção agrícola, o mais indicado não é aumentar o tamanho da área cultivada, e sim procurar formas de ser mais sustentável e eficiente. Uma delas é ter uma atenção maior com o solo, com análises que indiquem o seu grau de fertilidade e o tipo de cultura recomendada para a próxima safra.

O planejamento do solo deve ser realizado antes do plantio e é uma parte importante do projeto financeiro da lavoura. Ter essas informações permite um uso mais certeiro dos fertilizantes e dos corretivos, sem aumentar os custos da produção nem comprometer a qualidade da área.

Uma boa análise de solo também tem impacto econômico para o dono da propriedade rural. Com a sua utilização correta, os nutrientes são conservados, o que evita gastos desnecessários no futuro. Além disso, uma produção com mais qualidade garante uma comercialização bem-sucedida, com maior satisfação dos clientes.

Vale destacar que, para aqueles que têm financiamento de crédito rural acima de R$5 mil e aderem ao Pragro, é obrigatório apresentar dois laudos para ter direito à cobertura. O primeiro é uma análise química do solo, com validade de dois anos, e o outro é uma análise granulométrica, que dura dez anos.

Tecnologia em fertilizantes

Os fertilizantes são o alimento das plantas, ou seja, eles fornecem nutrientes que garantem o desenvolvimento das culturas. Principalmente no Brasil, onde alguns solos têm problemas de qualidade, essa técnica é essencial para garantir a produção, mas também têm desvantagens, como o consumo de energia não renovável e poluição.

Existem dois tipos principais de fertilizantes: os orgânicos e os minerais. No primeiro caso, eles são biodegradáveis e renováveis, mas são mais lentos e não podem ser utilizados durante todo o ano. No segundo, os nutrientes são absorvidos rapidamente e o custo é mais baixo, mas há maior possibilidade de comprometer as plantas.

Algumas iniciativas garantem um uso mais amigável dessa técnica, em especial, no que diz respeito à precisão da aplicação. Uma delas é investir em fertilizantes que tenham uma granulometria mais bem definida, ou seja, que tenham tamanhos de grãos mais uniformes para depositá-los com maior exatidão na lavoura.

Uma outra alternativa é a utilização de fertilizantes organominerais sólidos, que diminuem as aplicações. Nesse caso, os nutrientes são liberados de forma gradual, o que respeita o desenvolvimento da planta e evita que eles se percam na natureza. Pela presença de produtos orgânicos na sua composição, isso também melhora a qualidade do solo.

Abelhas nas plantações

A implementação da apicultura nas lavouras é uma das formas mais indicadas para diminuir o uso de fertilizantes com acréscimo na qualidade dos produtos agrícolas. Os seus principais benefícios são a facilidade no manejo, o que dispensa um custo alto com mão de obra, e os preços em conta de uma colmeia.

Enquanto, nos Estados Unidos, o preço pode ultrapassar os US$200, no Brasil, é possível encontrar por menos de R$100. Um dos fatores é a maior oferta de abelhas no país, com a existência de espécies nativas — é o caso da Jataí, que é uma das menores conhecidas e não tem ferrão.

Muito sociáveis, essas abelhas têm um manejo mais simples e sobrevivem em colmeias de até 5 mil unidades. No Brasil, elas são utilizadas em larga escala na produção de melão e maçã, mas, fora do país, os agricultores aplicam essa técnica comercialmente em outras culturas, o que deve ser visto com bons olhos.

A produção de soja e girassol é impactada positivamente com a apicultura. Essa técnica está em constante desenvolvimento e novas tecnologias foram introduzidas, como a criação de um método para eliminar os parasitas, e de um alimentador plástico, para a sobrevivência dos animais no inverno.

Sistema de controle de queimadas

Nos períodos de estiagem, as queimadas são comuns no país. Segundo a Embrapa, são mais de 300 mil focos de queimada por ano — 85% deles na área da Amazônia. Os prejuízos do fogo desgovernado para a agricultura são a perda de produção e de nutrientes do solo, e a poluição, além de problemas com a eletricidade.

A queimada também é utilizada como técnica pelos agricultores para a preparação do solo, mas ela deve ser vista como a última alternativa. Apesar de trazer alguns resultados positivos no curto prazo, ela causa diversos problemas para o meio ambiente, como a poluição, e também compromete a qualidade do solo.

Para prevenir incêndios maiores, a queimada controlada é uma alternativa, mas deve ser feita com base nas leis vigentes e com autorização do Estado. É necessário notificar as autoridades sobre a data e hora da ação, e também os vizinhos, o que evita acidentes e problemas com os animais da área.

No caso dos agricultores familiares, que não têm muitos recursos para investir, uma dica é diversificar a produção, o que também traz benefícios financeiros. Com um planejamento de culturas diferentes, eles são capazes de ter renda durante todo o ano e evitam um manejo ruim do solo.

Conhecer as tendências do agronegócio é um passo importante para os produtores rurais terem sucesso nessa atividade. Ao buscarem formas de melhorar a qualidade dos seus alimentos e implementarem novas tecnologias na lavoura, eles estão prontos para o alcance de novos mercados consumidores e melhora da sua qualidade de vida.

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