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Open Banking: Entenda a Tecnologia que vai Revolucionar o Mercado Financeiro

Você provavelmente já ouviu falar sobre o Pix, não é mesmo? Esse novo sistema de pagamentos e transferências, em operação desde novembro de 2020 no país, está sendo comentado em…

Mercado & Negócios

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open banking

Você provavelmente já ouviu falar sobre o Pix, não é mesmo? Esse novo sistema de
pagamentos e transferências, em operação desde novembro de 2020 no país, está sendo
comentado em todos os lugares. Contudo, há algo que vem sendo construído paralelamente
ao Pix e que terá um impacto ainda maior no mercado financeiro do Brasil que até então não
recebeu o seu devido destaque: o Open Banking.

Em tradução livre, Open Banking significa “sistema financeiro aberto”, um conceito do
mercado de finanças que foi iniciado no Reino Unido no ano de 2018, espalhou-se pela Europa
e agora começa a chegar em diversos outros países, inclusive no Brasil.
Em nosso país, o comunicado do Banco Central do Brasil nº 33.455/2019 estabeleceu
requisitos para a implementação do Open Banking e, desde então, regulamentos e normas
foram publicados e a implementação já começou a ocorrer no mesmo período em que o Pix,
entretanto a tecnologia deverá estar em pleno funcionamento no último trimestre de 2021.
Portanto, para que você não fique por fora de uma das mais importantes transformações do
sistema financeiro das últimas décadas, nós explicaremos tudo o que você precisa saber sobre
essa nova tecnologia!

 

O QUE É O OPEN BANKING?

Para início de conversa, devemos ter claro que as instituições financeiras, principalmente as
tradicionais, detém para si as informações relativas às suas operações e atividades, além disso
todos os produtos e serviços (inclusive os aplicativos móveis) são desenvolvidos e gerenciados
pela própria instituição.
Isso quer dizer que tudo o que um banco ou outra instituição financeira oferece aos seus
clientes é feito pelo próprio banco e todas as operações executadas também são registradas
ali sem que nenhuma informação seja compartilhada.
É por essa razão que um cliente do banco A, ao pedir um empréstimo no banco B, tem taxas de
juros altas ou outros entraves para a aquisição de um crédito, pois o banco B não possui o
histórico financeiro e demais informações desse cliente para que possa ofertar algo mais
atraente.

Na prática, o que ocorre é que as informações de um cliente não pertencem ao próprio cliente,
mas, sim, ao banco em que ele está vinculado. Por isso, uma das premissas do Open Banking é
garantir ao cliente a propriedade sobre as suas informações, sendo ele o responsável por
solicitar ou não o compartilhamento de seus dados com outras empresas.
A partir desse exemplo, podemos entender que o Open Banking é um conjunto de regras e de
tecnologias que permitirão o compartilhamento de informações financeiras e operacionais
com o consentimento explícito do cliente entre empresas do setor.
Esse compartilhamento será possível através das APIs ou IPAs, em português, sigla para
Interfaces de Programação de Aplicativos, as quais podem ser entendidas como um conjunto
de dados que podem ser acessados para o desenvolvimento de outras aplicações.

Para tornar mais claro, pense que você vai fazer uma compra pela primeira vez no site de uma
determinada loja. Ao acessar o seu carrinho de compras e clicar para ir à página de
pagamento, o site pedirá um login e uma senha, mas, mesmo sem fazer cadastro, você poderá
fazer o seu login com a sua conta do Google ou do Facebook, assim, o site da loja consegue
receber suas informações sem que você precise digitar nada. Essa comunicação se faz através
de uma API e é dessa forma que o Open Banking conseguirá compartilhar os dados entre
diferentes instituições financeiras.

COMO FUNCIONARÁ NO BRASIL?

Ainda é cedo para afirmar com detalhes como o Open Banking funcionará em nosso país,
contudo algumas situações já podem ser definidas.
Como vimos acima, a questão central em torno dessa tecnologia é o compartilhamento de
informações de clientes e de operações financeiras entre diferentes instituições. Sabendo
disso, uma das primeiras mudanças que estará disponível ainda em 2021 é esse
compartilhamento a partir da autorização do cliente.
Assim, ainda neste ano, será possível que um cliente do banco Bradesco possa tomar um
crédito pessoal na fintech MOVA sem ter que enviar documentos ou fazer cadastros. Na
prática, o cliente acessa o app ou o site da fintech e solicita a cotação, nesse momento uma
mensagem solicitando os dados do cliente é enviada para o Bradesco que, por sua vez,
solicitará autorização para o próprio cliente. Tendo a autorização concedida, o banco enviará
as informações para a fintech, a qual, em posse das informações do cliente, poderá realizar a
melhor cotação possível.

Dizendo dessa maneira, pode parecer um processo demorado, mas tudo será realizado em
questão de segundos. No exemplo dado, logo após o cliente solicitar a cotação na fintech o seu
banco já enviará solicitação de autorização no e-mail ou em notificação pelo smartphone, a
qual será concedida através do uso de senha, de leitura biométrica ou outro dispositivo de
segurança.

Além dessa primeira situação, já prevista para ocorrer ainda em 2021, a tendência é que
parcerias entre diferentes bancos e fintechs sejam feitas, possibilitando a criação de algo
parecido com market places de produtos e serviços financeiros. Isso é, após a consolidação do
sistema no Brasil é possível que no aplicativo do NuBank, por exemplo, o usuário possa
receber propostas de financiamento de imóveis do Santander e de crédito rural do Banco do
Brasil, sendo possível ainda que o produto seja contratado pelo próprio aplicativo.
Assim, um banco digital que só oferece hoje conta corrente e cartão de crédito e mais nada
poderá contar com produtos novos de outras instituições, e as instituições maiores já
consolidadas no mercado financeiro com vários produtos e serviços poderão expandir os seus
negócios incluindo-os em diversos espaços.
Por fim, outra possibilidade prevista é a concentração das finanças de um usuário em um único
aplicativo. Desse modo, em um mesmo lugar o usuário poderá consultar o seu saldo na conta
do Banco Itaú, verificar o andamento de seus investimentos no BTG Pactual, e receber
propostas de crédito empresarial da fintech Creditas, por exemplo.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DO OPEN BANKING?

Depois de tudo o que vimos até aqui, certamente não será tão difícil perceber quais são os
benefícios do Open Banking para os clientes e para o sistema financeiro como um todo. Mas,
de qualquer maneira, vamos definir os seus pontos de vantagem principais.

Inovação tecnológica

Primeiramente, o Open Banking possibilitará a criação de novos ecossistemas de
desenvolvimento tecnológico em torno das instituições financeiras. Assim, as fintechs, em
especial, terão novas oportunidades de crescerem e de se estabelecerem no mercado
nacional, promovendo a criação de inovações no setor financeiro.
Desse modo, as instituições tradicionais não deverão mais dominar o desenvolvimento de seus
próprios produtos, o que gera grandes custos, mas deixar que isso ocorra através de outras
empresas.

Melhor experiência do usuário

Em segundo lugar, a própria experiência do usuário deverá ser melhor, pois novos serviços
serão disponibilizados e de forma personalizada às necessidades e aos hábitos financeiros do
próprio cliente, além da já citada facilitação de trânsito entre diferentes instituições
financeiras, pois haverá menor burocracia.
A experiência do usuário é um dos pilares do Open Banking, por isso, aposta-se na alta
competitividade entre empresas de tecnologia e instituições financeiras na busca de
aperfeiçoamento de soluções para atrair e fidelizar clientes.

Melhores taxas e serviços

Por fim, busca-se principalmente que o estímulo à competitividade dado pelo
compartilhamento de informações resulte em redução de taxas e de melhorias nos serviços
ofertados pelas instituições financeiras.

Portanto, agora que você já conhece os pontos fundamentais do Open Banking, não restam
dúvidas do quanto esse novo modelo de sistema financeiro promete revolucionar a forma
como clientes, instituições financeiras e empresas de tecnologia se relacionam no Brasil.
Então, fique atento, pois logo mais essas novidades todas já estarão disponíveis para você.

 

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